
Erros repetitivos
Cometer os mesmos erros limita seus vôos
Eddie Van Feu
Você deve ter uma amiga que sempre se envolve com o cara nitidamente errado. Um namorado atrás do outro, ela volta pra reclamar e chorar no seu ombro sobre como a vida é injusta e como ela é uma coitada. Talvez, essa amiga seja seu próprio reflexo no espelho. Pense um pouco e veja se seus problemas não se originam sempre da mesma atitude.
Nós nos habituamos a agir ou pensar de certa maneira e tendemos a seguir um padrão. Imagine, por exemplo, que você se acostuma a dar milho aos pombos todas as manhãs. No começo, são só uns três, mas com o tempo, um manda um e-mail pra outro e já são vários pombos que se habituam a ir ali toda a manhã esperando o milho. Se um dia você não for, alguns vão procurar comida em outro lugar, mas boa parte vai ficar esperando. É o hábito. O condicionamento que vicia os animais a um tipo de comportamento é o mesmo que nos atinge.
Muitos dos nossos problemas são conseqüências das nossas atitudes viciadas. Enfiamos o dedo na tomada e tomamos um choque. E o que fazemos? Reclamamos e enfiamos o dedo de novo! O que parece tolo é na verdade fruto de outro vício: o mental. Se nos acostumamos a pensar numa coisa como fato comum, não cogitamos que ela possa acontecer de forma diferente.
O que fazemos então? Quebramos o padrão mental que está nos aprisionando num círculo vicioso. Relacionamentos que se repetem sempre nos mesmos dramas, problemas que parecem sempre os mesmos, só que com outras cores, podem ser mudados. Cuidado especial para os problemas que parecem diferentes, mas são exatamente os mesmos. Às vezes, custamos a perceber que enfrentamos a mesma situação disfarçada. É como encenar uma peça com o mesmo enredo, mas com elenco e personagens diferentes.
Como parar de enfiar o dedo na tomada
Quebrando o padrão mental. A melhor maneira de fazer isso é sendo criativo. Exercitar a criatividade é divertido e extremamente necessário para viver bem (e mais) justamente porque nos ajuda a enxergar saídas fora do comum e a ver as coisas de forma mais abrangente (nosso comportamento repetitivo se origina de uma visão limitada nossa). Precisamos de uma caixa com urgência, mas não temos nenhuma na casa! Muita gente se desespera e nem cogita cortar um papelão e fazer uma caixa, ou desalojar um eletrodoméstico ainda na embalagem. Elas não estão acostumadas a achar saídas (só problemas).
A criatividade pode ajudar você a viver melhor tanto na vida prática quanto na vida emocional. Para se tornar mais criativo, não precisa se descabelar. Basta seguir algumas dicas simples. Eis algumas delas:
- Procure variar seus caminhos.
- Coma em restaurantes diferentes e escolha pratos diferentes sempre que puder.
- No mercado, procure comprar coisas que nunca comprou, visitar seções que não costuma ir e variar de vez em quando de marcas.
- De vez em quando, passeie no shopping e experimente roupas de estilo diferente do seu. Se for mulher, faça o mesmo com maquiagem.
- Veja filmes e invente um final diferente a partir de uma atitude diferente de qualquer um dos personagens. Conte essa história na sua cabeça ou conte pra alguém.
- Dedique-se a alguma atividade que exercite a criatividade, como artesanato, pintura, leitura, quadrinhos, desenho, etc...
- Abra sua mente. Há muito mais no mundo do que sonha nossa cabecinha limitada. Conceba sempre que tudo é possível.
- Dance, mesmo que seja em casa. Mas dance sentindo a música.
- Aprenda uma canção nova por semana.
- Faça receitas diferentes na cozinha, varie os temperos, use pratos novos que sempre ficam guardados esperando não sei o quê.
Já que é pra cometer um erro, que pelo menos seja um erro diferente.
Um dos maiores problemas de quebrarmos padrões mentais (e, conseqüentemente, comportamentais) é nossa rigidez moral, nossa inflexibilidade, geralmente regida pelo orgulho. Queremos estar certos, provar que da NOSSA maneira é que funciona. Alguns de nós também têm um medo estúpido de sair da rotina. Quando o caso é grave, chamamos de TOC, síndrome do comportamento compulsivo obsessivo. Muita gente possui um tipo de toc leve, enquanto outros são mais radicais, tendo sérias limitações no decorrer da vida.
Caso você se veja preso num comportamento repetitivo, não se esconda atrás da desculpa de uma doença. Se ela existe, você a está alimentando, de qualquer maneira. Lembre-se de que você é o principal responsável pelas suas próprias limitações, se estas são causadas por atitudes suas. Liberte-se de suas limitações. Elas só servem para atrofiar suas asas até que você esqueça como usá-las. E aí você diz: Mas eu não tenho asas! E apenas lhe respondo: Viu?
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